segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Só.
“Nunca fui como todos. Nunca tive muitos amigos. Nunca fui favorita. Nunca fui o que meus pais queriam. Nunca tive alguém que me amasse. Mas tive somente a mim. A minha absoluta verdade. Meu verdadeiro pensamento. O meu conforto nas horas de sofrimento, não vivo sozinha porque gosto e sim porque aprendi a ser só.”
- Florbela Espanca.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
As Pérolas
"A ociosidade, a miserável ociosidade daqueles interrogatórios. ‘Você está bem?’ O sorriso postiço. ‘Estou bem’. A insistência era necessária. ‘Bem mesmo?’ Oh Deus. ‘Bem mesmo.’ A pergunta exasperante: ‘Você quer alguma coisa?’ A resposta invariável: ‘Não quero nada.’
‘Não quero nada, isto é, quero viver. Apenas viver, minha querida, viver...’ Com um movimento brando, ele ajeitou a cabeça no espaldar da poltrona. Parecia simples, não? Apenas viver."
'It's way too late to be this locked inside ourselves'
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Dá minha jaqueta, boy.
"Está quase amanhecendo, boy. As damas da noite recolhem seu perfume com a luz do dia. Na sombra, sozinhas. envenenam a si próprias com loucas fantasias. Divida essa sua juventude estúpida com a gatinha ali do lado, meu bem. Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui. continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro.
Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."
Caio Fernando Abreu - Dama da noite (Os Dragões Não Conhecem o Paraíso)
PS: é a Nancy sim haha
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
É.
“Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas… permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem… gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos… me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar… experimente me amar."
Martha Medeiros.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
"Virava de um lado para o outro junto de Tereza, que dormia, e pensava no que ela lhe dissera alguns anos antes, durante uma conversa insignificante. Falavam de seu amigo Z., quando ela declarou: _ Se não tivesse encontrado você, teria certamente me apaixonado por ele.
Já nessa época, essas palavram haviam provocado em Tomas uma estranha melancolia. Na realidade, compreendeu subitamente, que fora por caso que Tereza se apaixonara por ele e não por seu amigo Z.
Além de seu amor por Tomas,que se consumara, havia no reino das possibilidades um número infinito de amores não-consumados por outros homens.
(...)
Tomas lembrou-se do comentário de Tereza sobre seu amigo Z., e chegou à conclusão de que a história de amor de sua vida não estava colocada sobre "Es muss sein!" (Tem que ser!) mas antes sobre "Es könnte auch anders sein"(Isso poderia ter sido de outra maneira)."
A Insustentável Leveza do Ser
Primeira parte: A leveza e o peso.
Página 7
Já nessa época, essas palavram haviam provocado em Tomas uma estranha melancolia. Na realidade, compreendeu subitamente, que fora por caso que Tereza se apaixonara por ele e não por seu amigo Z.
Além de seu amor por Tomas,que se consumara, havia no reino das possibilidades um número infinito de amores não-consumados por outros homens.
(...)
Tomas lembrou-se do comentário de Tereza sobre seu amigo Z., e chegou à conclusão de que a história de amor de sua vida não estava colocada sobre "Es muss sein!" (Tem que ser!) mas antes sobre "Es könnte auch anders sein"(Isso poderia ter sido de outra maneira)."
A Insustentável Leveza do Ser
Primeira parte: A leveza e o peso.
Página 7
sábado, 9 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Não, não suportamos
"Tanto pasmo, depois. Sozinho no apartamento, domingo à noite. Todas as coisas quietas e limpas, o perfume adocicado das madressilvas roubadas e o bolo de chocolate intocado no refrigerador — até a televisão falar da explosão nuclear subterrânea. Então a suspeita bruta: não suportamos aquilo ou aqueles que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós. Afirmou, depois acendeu o cigarro, reformulou, repetiu, acrescentou esta interrogação: não suportamos mesmo aquilo ou aqueles que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós? Não, não suportamos essa doçura. (...)
Não muito confuso, assim confrontado com sua explícita incapacidade de lidar com. A palavra não vinha. Podia fazer mil coisas a seguir. Mas dentro de qualquer ação, dentes arreganhados, restaria aquela sua profunda incapacidade de lidar com. Um instante antes de bater outra, colocar uma velha Billie Holiday e sentar na máquina para escrever, ainda pensou: gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata. E se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo — e não entende nada."
Tem cara de Caio.
Não muito confuso, assim confrontado com sua explícita incapacidade de lidar com. A palavra não vinha. Podia fazer mil coisas a seguir. Mas dentro de qualquer ação, dentes arreganhados, restaria aquela sua profunda incapacidade de lidar com. Um instante antes de bater outra, colocar uma velha Billie Holiday e sentar na máquina para escrever, ainda pensou: gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata. E se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo — e não entende nada."
Tem cara de Caio.
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