Então, o tempo passa mais rápido quando você não se importa.Passa mais rápido e mais fácil, quando você não se conecta através desses fios hipócritas de suposições afetivas, emaranhado de fraquezas onde você anseia verdades mas pede mentiras involuntariamente. E é estranho tropeçar nessas antigas memórias vez e outra, vendo alguém que você costumava ser, mais maleável, mais acessivel, mais inconseqüente, alguém que não se assemelha em mais nada com você.
Tinha aquele velho caderno, aquela velha tristeza gritando jovem e louca. Aquelas velhas dúvidas tão complexas que hoje são respostas simples e práticas, fiz de tudo teorias, cálculos precisos. Aquele gosto de "morangos mofados" junto daquela impressão de que tudo estava fora do lugar. Teve aquele dia em que tudo teve de ser limpo e organizado minuciosamente, como um ponto final, que encerra algo em mim, mas não sei bem o que.
Tinha aquela expectativa fantasiada de comodismo, não suportava vê-la.
E eu era verde, verde..
Vestia uma velha capa de "pessoa-forte", enquanto por dentro era a personificação da fraqueza. Convenhamos que, por orgulho, quando me impunha uma meta de superar alguma coisa eu conseguia; talvez por gritar tão alto pro espelho todos os dias que se tornava verdade , sempre tem haver com ego, não tem? Mas não é desse ego inchado que falo, mas sim dessa proteção que temos, ou só eu tenho, sei lá.
E tudo em mim era verde, verde...
E tinha aquela velha procura por algo ou alguém que completasse, é nauseante pensar em tudo que poderia ter sido evitado.
E tinha aqueles livros, as músicas e todo o processo lento de adaptação a tudo isso, a esse mundo, as pessoas, tudo que em nós se torna fraco e velho.
Tinha aquela necessidade de uns "vocês" que foi substituída por mais "eus". Tinha aquelas confissões de não ligar, quando no fundo todos nós queremos esses "sins" todo dia, mas sempre fui a negação fácil.
E eu me via verde, verde..essa questão das cores é mesmo importante, sim.
Hoje eu quero a cor daquele pôr-do-sol, da lua, da nuvem de chuva. Quero a evolução, a passagem do superficial asfixiante pra algo que valha. Quero mais dessa certeza,mais dessa calma, dessa paz. Quero mais dessas tardes chuvosas, mais daquela alegria sem motivo. Quero mais livros,mais diálogos produtivos. Quero ainda mais dessa não necessidade do mundo.
E é tudo azul, azul. Plenitude.

Eu tava aqui pensando.
ResponderExcluirSim, eu já li esse texto.
Depois de refletir bastante:
E eu era verde, verde...
Conheço esse trecho, essa expressão. Do seu texto.
Foi coomo um raio, certo? De repente, eu lembrei.
Ateh que enfim alguém apontou uma arma na sua cabeça e fez o que era certo: te fez criar um blog;
Eu teria feito isso, se eu tivesse uma arma pra te apontar :P
Belo nome pra ele, por sinal.
Pq desde que você foi embora não me ocorre outra frase além de desde que você foi embora.
Beijos, Ana.